segunda-feira, 30 de julho de 2007

Friday Night Lights (primeira temporada)

Friday Night Lights (primeira temporada)

Em torno da meia-noite do último sábado... Decidi ver episódios de uma série que teve grandes reviews na última temporada televisiva Americana, mas uma audiência definitivamente anã para uma rede como a NBC. Já havia assistido aos dois primeiro episódios, e querendo dar uma boa chance ao programa eu iniciei vendo-os de novo. Devo confessar que simplesmente não consegui parar de assistir até fechar os 22 segmentos da primeira temporada de Friday Night Lights, lá pelas dezoito horas do domingo!

Posto isto, me senti energizado para falar bastante bem da atração (risos). Em parte pela certa esnobada que a série levou nas indicações ao Emmy 2007 (0 que me deixou perplexo em retrospecto) e também pelo aparentemente insolúvel problema de marketing da série.

Começando pelos problemas de divulgação, a série NÃO PRECISA DE FORMA ALGUMA que os espectadores sejam fãs (ou que sequer entendam) de futebol americano e para falar a verdade nem precisam ser necessariamente fãs de esporte em geral. A única restrição de fato é que os espectadores sejam seres humanos e estejam vivos.

Infelizmente os promos (a NBC insiste que foram apenas os esforços iniciais, mas acho que a maioria deles dá a mesma impressão) do programa parecem negar o que eu acabei de dizer, isto aparentemente destruiu de saída a audiência potencial feminina da atração e feriu também várias demografias masculinas. Este foi um dos culpados pela baixa audiência inicial e pela sua falta de perspectiva de crescimento.

Tentar revertar esta terível situação vendendo a série como soap opera, também parece algo largamente equivocado. Quem está pensando em ver outra The OC não vai entender nada ao sintonizar no programa e não vai voltar a assistir e quem não quer ver outra The OC nem vai se dar ao trabalho.

Friday Night Lights é (por outro lado) drama humano, cru e orgânico para ninguém botar defeito. Os personagens são incrívelmente tridimensionais (ainda que alguns deles sejam introduzidos via dispositivos de banana) e atuados de forma primorosamente natural. O elenco de estupendos personagens é liderado pelo treinador Eric Taylor, do fictício time colegial de futebol Americano dos Dillon Panthers, da igualmente fictícia cidade de Dillon no Texas.

Eric Taylor (vivido por Kyle Chandler de Early Edition) e a sua esposa (e conselheira da mesma escola em que seu marido é treinador) Tami Taylor (vivida por Connie Britton da série Spin City) são alguns dos mais substantivo modelos de conduta da recente memória da TV. Como pais e em suas respectivas posições profissionais eles simplesmente se recusam em cair em chavões, eles simplesmente e realmente se importam. Surpreendentemente corretos ainda que claramente falhos e humanos, o velho tubo precisa de mais heróis como estes.

Em termos de produção a série leva o cada vez mais tradicional "Graal Documental" (TM) ao absoluto extremo. Aqui não temos ensaios, não temos marcações de nenhuma espécie e mesmo os diálogos são improvisados, a menos de alguns pontos obrigatórios.

A não indicação da série nos Emmy 2007 como: melhor drama, melhor direção, melhor ator de drama (para Chandler) e melhor atriz de drama (para Britton) beira uma ofensa. Particularmente curiosa nestes termos é a indicação da (inspiracionalmente e por vezes literalmente) bidimensional Heroes como melhor DRAMA (!?). O que esta aparente rejeição diz sobre os tempos atuais?

Penso que personagens e atuações como as de Chandler e Britton aqui deveriam ser estimulados e reconhecidos muito mais do que, fixando o foco no persongem do treinador Taylor por exemplo, os "intrigantes psicopatas" de Hugh Lurie e Michel C. Hall ou os "brucutus charmosos" de Kiefer Sutherland, Michael Chiklis e mesmo Denis Leary. É tão difícil um herói realmente tridimensional, alguém que não tenha todas as respostas mas ao mesmo tempo não seja "estragado além de qualquer conserto". O que esta aparente rejeição diz sobre os tempos atuais?

Ao final de um antigo post sobre o último episódio de Veronica Mars eu fiz uma colocação que até hoje nunca havia me deixado satisfeito. Apesar de todos os inegáveis méritos de VM, os quais aqui mais uma vez eu sublinho, ela não é drama humano, e sim uma série extremamente estilizada, uma espécie de "pop noir" em vários níveis. O que sempre deixou a minha lá mencionada cadeia de séries meio sem sentido (que acabei até apagando, por falar nisto). Um problema que agora eu resolvo para sempre (especialmente por que FNL quase não foi além de uma única temporada... Ou não?).

Vejam My So Called Life, Freaks and Geeks e Friday Night Lights uma após a outra e nesta ordem. Três séries que eu gostaria de ter escrito... E que de certa forma... Escrevi...

When Jason Street went down at the first game of the season, everybody wrote us off.

Everybody.

And yet here we are at the championship game.

People out there have also written us off.

And there are a few out there who do still believe in you, few will never give upon you.

You go back out on the field, those are the people I want in your minds.

Those are the people I want in your hearts.

Every man at some point in his life is gonna lose a battle.

He's gonna fight and he's gonna lose.

But what makes him a man...

is that in the midst of that battle, he does not lose himself.

This game is not over.

This battle is not over.

So let's hear it one more time.

Together.

Clear eyes.

Full hearts.

Can't lose!

Let's go!

Friday Night Lights (primeira temporada)