sexta-feira, 7 de março de 2008

MELHORES FILMES SCIFI DE TODOS OS TEMPOS (C)

MELHORES FILMES SCIFI DE TODOS OS TEMPOS (C)

Esta é a minha lista pessoal dos melhores filmes SCIFI (FILMES DE FICÇÃO ESPECULATIVA) de todos os tempos, dentre aqueles em que a clássica pergunta especulativa ("E se...?") é feita (tratada, desenvolvida...) em termos mais próximos da Ciência (e da Tecnologia) do que da Magia (do "sobrenatural", do "fantástico"...).

(Uma outra lista pessoal - intitulada Melhores Filmes SCIFI De Todos Os Tempos (M) - fala daqueles em que ocorre justamente o contrário.)

Segue a relação dos filmes em rigorosa ordem cronológica, complementada (na seção seguinte) por um breve comentário, década a década, obra a obra.

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RELAÇÃO DOS FILMES

1900 - 1910

(1902) A Trip To The Moon (De Georges Méliès)

1910 - 1920

N/A

1920 - 1930

(1924) Aelita (De Yakov Protazanov)
(1927) Metropolis (De Fritz Lang)
(1929) Woman In The Moon (De Fritz Lang)

1930 - 1940

(1931) Frankenstein (De James Whale)
(1931) Dr Jekyll and Mr Hyde (De Rouben Mamoulian)
(1933) The Island Of Lost Souls (De Erle C. Kenton)
(1933) The Invisible Man (De James Whale)
(1935) Bride Of Frankenstein (De James Whale)
(1936) Things To Come (De William Cameron Menzies)

1940 - 1950

(1950) Destination Moon (De Irving Pichel)

1950 - 1960

(1950) Destination Moon (De Irving Pichel)
(1951) The Day the Earth Stood Still (De Robert Wise)
(1951) The Thing from Another World (De C. Nyby & H. Hawks)
(1951) When Worlds Collide (De Rudolph Maté)
(1953) Invaders from Mars (De William Cameron Menzies)
(1953) It Came from Outer Space (De Jack Arnold)
(1953) The Beast from 20,000 Fathoms (De Eugène Lourié)
(1953) The War Of The worlds (De Byron Haskin)
(1954) Godzilla (De Ishirô Honda)
(1954) Them! (De Gordon M Douglas)
(1955) The Quatermass Xperiment (de Val Guest)
(1956) Forbidden Planet (De Fred M. Wilcox)
(1956) Invasion of the Body Snatchers (De Don Siegel)
(1957) Quatermass 2 (De Val Guest)
(1957) The Incredible Shrinking Man (de Jack Arnold)
(1958) It! The Terror from Beyond Space (De Edward L. Cahn)
(1958) The Fly (De Kurt Neumann)
(1960) The Time Machine (De George Pal)
(1960) Village of the Damned (De Wolf Rilla)

1960 - 1970

(1960) The Time Machine (De George Pal)
(1960) Village of the Damned (De Wolf Rilla)
(1961) Last Year at Marienbad (A. Resnais)
(1962) The Manchurian Candidate (De John Frankenheimer)
(1962) The Pier (De Chris Marker)
(1963) X (De Roger Corman)
(1964) Doctor Strangelove (De Stanley Kubrick)
(1964) Fail-Safe (De Sidney Lumet)
(1965) Alphaville (De Jean-Luc Godard)
(1966) Fahrenheit 451 (De François Truffaut)
(1966) Fantastic Voyage (De Richard Fleischer)
(1966) Seconds (De John Frankenheimer)
(1967) Quatermass and the Pit (De Roy Ward Baker)
(1968) 2001: A Space Odyssey (De Stanley Kubrick)
(1968) Barbarella (de Roger Vadim)
(1968) Night Of The Living Dead (De George A Romero)
(1968) Planet of the Apes (De Franklin J. Schaffner)
(1969) The Bed Sitting Room (De Richard Lester)
(1970) Colossus: The Forbin Project (De Joseph Sargent)

1970 - 1980

(1970) Colossus: The Forbin Project (De Joseph Sargent)
(1971) A Clockwork Orange (De Stanley Kubrick)
(1971) The Andromeda Strain (De Robert Wise)
(1972) Silent Running (De Douglas Trumbull)
(1972) Slaughterhouse Five (De George Roy Hill)
(1972) Solaris (De Andrei Tarkovsky)
(1973) Sleeper (De Woody Allen)
(1973) Soylent Green (De Richard Fleischer)
(1973) The Fantastic Planet (De René Laloux)
(1973) The Holy Mountain (De Alejandro Jodorowsky)
(1973) Westworld (De Michael Crichton)
(1974) Dark Star (De John Carpenter)
(1974) Young Frankenstein (De Mel Brooks)
(1975) A Boy and his Dog (De L.Q. Jones)
(1975) Rollerball (De Norman Jewison)
(1975) Shivers (De David Cronenberg)
(1975) The Rocky Horror Picture Show (De Jim Sharman)
(1976) The Man Who Fell to Earth (De Nicolas Roeg)
(1978) Arrivederci, Yamato (De Leiji Matsumoto)
(1978) Invasion of the Body Snatchers (De Philip Kaufman)
(1978) The Boys from Brazil (De Franklin J. Schaffner)
(1979) Alien (De Ridley Scott)
(1979) Galaxy Express 999 (De Rintaro)
(1979) Mad Max (De George Miller)
(1979) Stalker (De Andrei Tarkovsky)
(1979) The Brood (De David Cronenberg)
(1979) The Lathe of Heaven (De Fred Barzyk)
(1980) Altered States (De Ken Russell)

1980 - 1990

(1980) Altered States (De Ken Russell)
(1981) Escape from New York (De John Carpenter)
(1981) Heavy Metal (De Gerald Potterton)
(1981) Scanners (De David Cronenberg)
(1981) The Road Warrior (De George Miller)
(1981) Time Bandits (De Terry Gilliam)
(1982) Blade Runner (De Ridley Scott)
(1982) The Thing (De John Carpenter)
(1982) Time Masters (De René Laloux)
(1983) The Dead Zone (De David Cronenberg)
(1983) Videodrome (De David Cronenberg)
(1984) 1984 (De Michael Radford)
(1984) 2010: The Year We Make Contact (De Peter Hyams)
(1984) Buckaroo Banzai (De W. D. Richter)
(1984) Repo Man (De Alex Cox)
(1984) Sexmission (De Juliusz Machulski)
(1984) The Terminator (De James Cameron)
(1985) Angel's Egg (De Mamoru Oshii)
(1985) Brazil (De Terry Gilliam)
(1985) Re-Animator (De Stuart Gordon)
(1986) Aliens (De James Cameron)
(1986) Kin-dza-dza! (De Georgi Daneliya)
(1986) The Fly (De David Cronenberg)
(1987) Robocop (De Paul Verhoeven)
(1988) Akira (De Katsuhiro Ôtomo)
(1988) Alien Nation (De Graham Baker)
(1988) TETSUO (De Shinya Tsukamoto)
(1988) They Live (De John Carpenter)
(1990) Total Recall (De Paul Verhoeven)

1990-2000

(1990) Total Recall (De Paul Verhoeven)
(1991) Delicatessen (De Marc Caro & Jean-Pierre Jeunet)
(1991) Naked Lunch (De David Cronenberg)
(1991) Terminator 2: Judgment Day (De James Cameron)
(1995) Ghost in the Shell (De Mamoru Oshii)
(1995) Memories (K. Morimoto & T. Okamura & K. Otomo)
(1995) Strange Days (De Kathryn Bigelow)
(1995) The City of Lost Children (De M.Caro & J.P. Jeunet)
(1995) Twelve Monkeys (De Terry Gilliam)
(1997) Gattaca (De Andrew Niccol)
(1997) The End of Evangelion (De Hideaki Anno)
(1998) Dark City (De Alex Proyas)
(1998) Pi (De Darren Aronofsky)
(1998) The Truman Show (De Peter Weir)
(1999) eXistenZ (De David Cronenberg)
(1999) The Iron Giant (De Brad Bird)
(2000) Battle Royale (De Kinji Fukasaku)

2000-2010

(2000) Battle Royale (De Kinji Fukasaku)
(2001) Avalon (De Mamoru Oshii)
(2001) Donnie Darko (De Richard Kelly)
(2001) Metropolis (De Rintaro)
(2002) 28 Days Later (De Danny Boyle)
(2002) Cowboy Bebop: The Movie (De Shinichiro Watanabe)
(2002) Solaris (de Steven Soderbergh)
(2003) District B13 (De Pierre Morel)
(2003) Interstella 5555 (De Kazuhisa Takenouchi)
(2003) Save The Green Planet (De Joon-Hwan Jang)
(2004) 2046 (De Wong Kar-Wai)
(2004) Eternal Sunshine of the Spotless Mind (De Michel Gondry)
(2004) Innocence: Ghost in the Shell (De Mamoru Oshii)
(2004) Primer (De Shane Carruth)
(2004) The Place Promised In Our Early Days (De Makoto Shinkai)
(2005) Serenity (De Joss Whedon)
(2005) Steamboy (De Katsuhiro Ôtomo)
(2006) A Scanner Darkly (Richard Linklater)
(2006) Children of Men (De Alfonso Cuaron)
(2006) Pale Cocoon (De Yasuhiro Yoshiura)
(2006) Paprika (De Satoshi Kon)
(2006) The Girl Who Leapt Through Time (De Mamoru Hosoda)
(2006) The Host (De Joon-ho Bong)
(2006) The Prestige (De Christopher Nolan)
(2006) The Fountain (De Darren Aronofsky)
(2007) Timecrimes (De Nacho Vigalondo)
(2007) The Man from Earth (De Richard Schenkman)
(2008) The Dark Knight (De Christopher Nolan)
(2008) Blindness (De Fernando Meirelles)
(2009) Moon (De Duncan Jones)
(2009) District 9 (De Neil Blomkamp)
(2009) The Road (De John Hillcoat)
(2010) Inception (De Christopher Nolan)
(2011) Source Code (De Duncan Jones)
(2011) Attack The block (De Joe Cornish)

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COMENTÁRIOS


1930 - 1940

INTRODUÇÃO: Nesta década, relacionamos apenas seis exemplares de maior lembrança, cinco filmes americanos (três da Universal e dois da Paramount) do intersectante gênero horror e um filme britânico de 'profecia especulativa' escrito pelo próprio H. G. Wells. O destaque absoluto fica com o diretor James Whale, cuja influência expressionista e distinto senso de humor presidiram os melhores momentos do período. De forma a sublinhar tal menção, também recomendamos o bom filme (1998) Gods and Monsters, que traz uma possível versão para os últimos dias da vida de Whale (excepcionalmente vivido por Sir Ian McKellen), com uma breve reconstituição das filmagens de (1935) Bride Of Frankenstein, a obra-prima do realizador inglês.

==>> (1931) Frankenstein (De James Whale) [***1/2]

Frankenstein é um filme de horror da Universal, baseado em peça de Peggy Webling, por sua vez adaptada do romance de Mary Shelley. Dirigido por James Whale, o longa elevou o ator britânico Boris Karloff à condição de ícone do Cinema, no papel da criatura de Frankenstein, cujo visual, autorado por Jack Pierce, tornou-se um dos mais memoráveis e facilmente identificáveis símbolos da cultura pop dos últimos 80+ anos.

Bem conhecida é a história do Doutor Frankenstein (aqui insanamente vivido por Colin Clive), obcecado por dar vida a uma colcha de retalhos cadavéricos, utilizando a energia de uma tempestade elétrica. A criatura assim gerada é imediatamente tratada com absoluto preconceito ("...ela possui um cérebro defeituoso!") e jogada em uma cela, apesar de não parecer naturalmente malevolente. Ela mata o assistente de Frankenstein só depois de ser sadisticamente torturada por ele e estrangula o ex-mentor do titular doutor somente quando o veterano médico decide nela realizar uma espécie de 'autópsia em vida' (!). Livre do cativeiro, ela faz a sua única real amizade durante todo o longa, a beira de um lago, com a pequena Maria. Um encontro que termina em grave tragédia, quando a criatura, sem bem compreender a brincadeira, causa acidentalmente a morte, por afogamento, da criança (a posterior expressão de infinito remorso de Karloff é absolutamente inesquecível!). Inconsolável, ela vai em busca do seu criador, somente para ser caçada por uma multidão, a qual inclui um decidido Frankenstein, clamando por justiça (notem que a criatura teve totais chances de matar a noiva do bom doutor, mas apenas a assustou!). Criador e criatura ultimamente se confrontam no mortal cenário de um moinho em chamas, deixando a audiência ponderar a quem de fato chamar de 'monstro'.

(Podendo ser obviamente entendido como um aviso, quanto as consequências do ato, de qualquer homem que tome a 'centelha divina' em suas próprias mãos, o longa possui ao menos um outro aparente subtexto. Alguns acreditam que a criatura nada mais é do que uma representação da mal resolvida homossexualidade do doutor, temática que emerge de modo deveras subversivo no filme sequência.)

==>> (1931) Dr Jekyll and Mr Hyde (De R. Mamoulian) [****]

A

==>> (1933) The Island Of Lost Souls (De E. C. Kenton) [***]

The Island Of Lost Souls é um filme de horror da Paramount, baseado na obra de H. G. Wells, que conta a história de um náufrago, Edward Parker (Richard Arlen), que acidentalmente é levado a misteriosa ilha de um certo doutor Moreau (Charles Laughton), cientista que experimenta com a evolução forçada dos seres vivos, inicialmente com plantas e eventualmente com animais, que, após serem processados, acabam por constituir a população 'nativa' da ilha. A trama é em grande parte movida pelo fascínio de Moreau com a possibilidade de Parker interagir (e eventualmente acasalar) com a sua obra-prima, Lota (Kate Burke), uma legítima mulher-pantera (o que adiciona um certo ar de "bestialismo" aos procedimentos).

Em sua ilha, Moreau é como um deus perante as suas criaturas, estabelecendo mandamentos (a sua 'Lei'), uma espécie de sumo sacerdote entre elas (vivido por um irreconhecível Bela Lugosi) e a sua própria versão de inferno (o laboratório principal do cientista, a sua 'Casa da Dor'); uma elaborada encenação que serve como uma ácida metáfora ao colonialismo/imperialismo europeu, trazendo completamente a nossa simpatia para o lado dos 'monstros'. Laughton é perfeito para tal personagem, com o seu jeito afeminado/aristocrático, roupas imaculadamente brancas e um demoníaco cavanhaque.

Moreau enfim viola a sua própria 'Lei', para tentar evitar a fuga de Parker, o que provoca uma terrível rebelião dos 'nativos', que arrastam o cientista para uma sessão especial na 'Casa da Dor', numa sequência de pesadelo, espetacularmente bem fotografada e efetiva até os dias de hoje. Com as criaturas ocupadas, Parker acaba sendo então compulsoriamente resgatado, graças aos esforços da sua noiva (certamente!) e do sacrifício de Lota (obviamente!).

==>> (1933) The Invisible Man (De J. Whale) [***1/2]

A

==>>(1935) Bride Of Frankenstein (De J. Whale) [DESTAQUE]

Bride Of Frankenstein é um filme da Universal, sequência direta do longa anterior, trazendo de volta James Whale, Boris Karloff e Colin Clive às funções que os consagraram. O longa é um dos melhores da era de ouro de hollywood (discutivelmente de todos os tempos), trazendo uma inusitada mistura de expressionismo alemão, horror, ótimos efeitos visuais, humor camp, subtexto homossexual, sacrilégio e necrofilia. Um raro feito, um clássico absoluto, definitivamente superior a (já excelente) produção de 1931.

Graças aos melhores esforços da Universal em superar os efeitos da Grande Depressão, tanto criador quanto criatura sobreviveram ao filme anterior. O bom doutor é seduzido/chantageado por um certo doutor Septimus Pretorius (um insanamente gay Ernest Thesiger - provavelmente servindo como um dublê para Whale na frente das câmeras), em criar uma mulher (usando a sua 'estabelecida metodologia', é claro), enquanto a criatura é constantemente perseguida, aprende rudimentos da linguagem e acaba por selar um acordo com Pretorius (debaixo de um cemitério por falar nisto!), que promete ajudar a remediar a sua solidão. Fazendo as duas tramas colidirem.

A cena de criação da 'noiva' supera de longe a correspondente cena do primeiro longa, com um fantástico uso de sombras, extremos ângulos de câmera, planos fechadíssimos e uma inspirada trilha de Franz Waxman. Isto tudo sem contar o incrível visual, com o seu clássico 'penteado eletrocutado', e o arrepiante gestual, inspirado em cisnes, da 'noiva' em si. A cena do 'abortado casamento', que logo se segue, é talvez uma das mais subversivas da história de hollywood, sagazmente atacando múltiplas instituições tradicionais ao mesmo tempo. Rejeitado pela 'noiva', a criatura decide que os dois e (o manipulativo) Pretorius pertencem aos mortos, mas, mostrando um mais evoluido senso de entendimento, salva o seu criador. Possivelmente uma exigência do estúdio, para termos algum tipo de 'final feliz', é irônico notar, entretanto, que Frankenstein nunca mostra, ao lado de sua noiva Elizabeth (Valerie Hobson) e apesar de tudo pelo que passou, a mesma vida de quando em meio aos seus 'monstros', reforçando o já mencionado subtexto. Leia mais!

(O filme (1974) Young Frankenstein, dirigido por Mel Brooks e também incluido nesta seleção, traz uma sátira dos dois filmes de James Whale sobre a criatura, assim como de (1939) Son Of Frankenstein.)

==>> (1936) Things To Come (De W. C. Menzies) [***]

A

CONCLUSÃO:

Artigo em progresso

Data de conclusão: ?/?/2011

MELHORES FILMES SCIFI DE TODOS OS TEMPOS (C)

domingo, 3 de fevereiro de 2008

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

THE MAN FROM EARTH (2007)

THE MAN FROM EARTH (2007)

Numa daquelas grandes e curiosas coincidências, recentemente assisti em seqüência aos seguintes segmentos de ficção científica (algo que me inspirou a escrever a presente nota):

i) O especial de natal 2007 da série Doctor Who 2005: Voyage Of The Damned (2007)

ii) O filme para DVD da série Stargate SG1: The Ark Of Truth (2008)

iii) O filme INDEPENDENTE: The Man From Earth (2007)

Devo confessar que os dois primeiros itens me deixaram deveras decepcionado, procurando ocultar com efeitos visuais e tediosas cenas de ação as suas deficiências narrativas e respectivas fracas histórias. Com certeza o item i foi um grande sucesso com (literalmente) metade da Inglaterra ligada em sua primeira exibição e o item ii deve vender bem quando do seu lançamento em março (de 2008) próximo. Felizmente a surpresa do item iii fez toda a experiência fazer sentido e valer a pena em retrospecto.

Recebi o torrone de The Man From Earth de um padeiro amigo meu, após selecioná-lo sem muito pensar de um cardápio SCIFI que trazia em sua capa simplesmente a enigmática sigla IMDB. Após assistí-lo sem muita expectativa (mas com alguma curiosidade), fiquei maravilhado com a história e principalmente com os sentimentos por ela evocados. A familiaridade com dois favoritos atores de Jornada Nas Estrelas presentes na produção (e a citação explícita ao programa quase ao final do filme) foi só o começo (ao menos para mim) do romantismo que envolvia aquilo tudo. A primeira real descoberta foi saber que o texto era de autoria de Jerome Bixby, e terminou de ser escrito (a partir de uma antiga idéia própria dos distantes anos 1960) literalmente as portas da sua morte em abril de 1998 (aos 75 anos de vida). Aos não familiares com o trabalho do autor, aqui cabe uma pequena pausa para apresentar uma singela relação (que de forma alguma se preocupa em ser completa em qualquer sentido) de alguns dos seus trabalhos:

- (1953) It's a Good Life: Um famoso conto de ficção científica e provavelmente o seu trabalho mais reconhecido;

- (1958) It! The Terror from Beyond Space: Bixby screveu o roteiro deste filme que muitos consideram como uma grande influência para o filme Alien de 1979;

- (1959) The Twilight Zone: Rod Serling adaptou It's a Good Life em um episódio homônimo da terceira temporada do programa. O segmento trouxe Bill Mummy (de Lost in Space e Babylon 5) no papel central da história (Anthony Fremont);

- (1966) Star Trek: Escreveu os episódios Mirror, Mirror (talvez o seu trabalho mais conhecido), By Any Other Name, Day Of The Dove e Requiem For Methuselah. Alguns acreditam ainda que It's a Good Life possa ter tido alguma influência no episódio Charlie X;

- (1966) Fantastic Voyage: Escreveu a história original do filme, a qual foi adaptada para a telona e só DEPOIS foi novelizada (via o roteiro filmado) por Isaac Asimov (que fez várias modificações em nome da plausibilidade e da consistência científica).

Como dito acima, Bixby terminou de ditar o roteiro em seu leito de morte para o seu filho, que partiu eventualmente para financiar a produção de um filme baseado na história. O orçamento disponível foi MUITO pequeno, o correspondente a aproximadamente 1/35 do utilizado para a feitura de The Ark Of Truth (só para efeito de comparação). Em uma atitude inusitada, os realizadores chegaram a agradecer as pessoas que fizeram a distribuição (ilegal!) do filme em redes P2P, algo que elevou a visibilidade da produção MUITO além dos seus mais insanos sonhos. O filme se resume a uma longa conversa entre amigos professores universitários em um único cômodo de uma casa e não tem aspirações vanguardistas. Muito pelo contrário, parece mais uma "história perdida" dos clássicos tempos de Zone, Limits e Trek.

O filme é centrado na seguinte pergunta especulativa: "E se... Um exemplar de homem primitivo tivesse sobevivido até os dias de hoje e pudesse seguir ainda além?" Um presente afirma ser (ele próprio) este tal "homem das cavernas" e diz que está de partida para um outro local, identidade e ocupação (como diz ter feito sempre quando o seu não envelhecimento começava a causar suspeitas). A sua fantástica história é discutida com a mente aberta (na maior parte do tempo) por todos e o termo "fascinante" vez após vez teima em vir a mente do espectador. Grande parte de tal narrativa serve de clara e rica metáfora a uma pessoa (re) avaliando a vida em um momento crucial, mesmo na iminência do seu fim. Eis que a descrição do persongem titular eventualmente parece se confudir com um testamento do próprio autor já proximo ao final do filme, onde uma arrepiante revelação de cunho religioso é apresentada e estudada em meio a dor (de alguns) e rejúbilo (de outros) dentre os presentes. O conto termina em uma nota de trágica ironia, que reafirma o que foi dito, logo após a sua negação.

Assistir ao filme não me fez lembrar qual é realmente a razão de ser da boa ficção especulativa, de fato nunca a esqueci. O gratificante foi perceber isto na mente de tantos outros que abraçaram tão modesta produção. Foi incrível (mesmo!) recordar (especialmente do jeito cristalino que esta história me permitiu) de caras tão importantes na forma em que sempre vi o mundo ao longo do meu desenvolvimento enquanto ser humano. Os saudosos "Homens da Terra"... Serling, Stefano, Coon... E Bixby!

THE MAN FROM EARTH (2007)

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Filmografia dos Coen (BARTON FINK)

Filmografia dos Coen (BARTON FINK)

Aqui vão as castanhas (de zero a quatro) para toda a filmografia dos (americanos) irmãos Coen (o meu filme favorito dos Coen e um dos meus filmes favoritos de todos os tempos é Barton Fink):

(1984) Blood Simple [****]

(1987) Raising Arizona [***]

(1990) Miller's Crossing [****]

(1991) Barton Fink [****] {FAVORITO}

(1994) The Hudsucker Proxy [**1/2]

(1996) Fargo [****]

(1998) The Big Lebowski [****]

(2000) O Brother Where Art Thou [***]

(2001) The Man Who Wasnt There [***]

(2003) Intolerable Cruelty [**]

(2004) The Ladykillers [**]

(2007) No Country For Old Men [****]

(2008) Burn After Reading [**1/2]

(2009) A Serious Man [****]

(2010) True Grit [***1/2]

Filmografia dos Coen (BARTON FINK)