quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estará o scifi televisivo em crise II?

Estará o scifi televisivo em crise II?

Relendo a parte anterior, creio que deixei um certo "ar de esperança" ao seu final. Esperança ao menos quanto ao futuro do scifi televisivo em geral, indicando um claro caminho de sucesso comercialmente sustentável e com qualidade artística (algo que definitivamente não passa por um remake americano de Misfits, por falar nisto!). Basta que a década que vier aprenda com a última década e prospere. Síntese... Ponto de partida...

Nestes momentos, de alegada crise, é muito comum associar-se o "fim de uma era" ao fim de uma série em particular, e tudo com vastas doses do mais barato saudosismo. Fazendo-o sem critério e de forma imediatista, sem o devido (e necessário) distanciamento. Também não é suficiente dizer que as coisas são cíclicas sem (ao menos tentar) explicar tal ciclo. Cabe então lembrar do mais crucial momento de baixa do scifi televisivo americano e fazer o seu constraste com o momento atual. De se estabelecer uma referência...

Após o melancólico cancelamento de Star Trek (em 1969), o scifi televisivo americano amargou uma profunda crise criativa que durou até a estréia de "V" (a minissérie original, de 1983). Tivemos sucesso comercial, pontual ou mesmo de múltiplas temporadas, mas artisticamente foi um periodo muito pobre quando comparado aquele do "Grande Trio SCIFI Americano (TM)" (das versões originais de The Twilight Zone, The Outer Limits e Star Trek). Não por acaso os anos de 1970 são conhecidos como a era de ouro do scifi televisivo britânico (e a melhor fase de Doctor Who) e o começo da era de ouro do anime no Japão. A natureza simplesmente odeia o vácuo...

Desejo de refazer o "Grande Trio SCIFI Americano (TM)" para novas audiências parece ter existido desde sempre e de forma independente. Se as continuações de "V" foram incapazes de manter a integridade artística (cometendo os mesmos erros das séries setentistas), a mediocre e conturbada produção oitentista de Zone tampouco parecia retomar a antiga glória do aludido grande trio. Enquanto Limits esperaria ainda mais uma década por um apropriado remake, o terceiro nome do trio, o mais moderno comparativamente, o único com personagens regulares (sempe eles!), mostraria o caminho da retomada do scifi televisivo americano (impulsionado por uma consistentemente bem sucedida série de filmes para o cinema). Era hora de mais uma Jornada...

I) O scifi televisivo americano está ruim hoje? Bem e como estava em torno de 28/09/1987? O que havia de scifi no ar quando da estréia de Star Trek: The Next Generation? (Quem souber, informe ao autor...)

Haviam basicamente as três grandes redes (NBC, ABC e CBS), as quais não pareciam muito interessadas no negócio. A série de Picard e cia. driblou a distribuição tradicional e basicamente inaugurou a primeira exibição em syndication, um mercado que foi bastante explorado pelo gênero (e fundamental para o seu desenvolvimento no período) até que a ida da série Andromeda para o canal SYFY em sua temporada final (circa 2004) decretou o de facto fim de tal sistema. Hoje, lugar para enfiar série scifi não falta, tem FOX, tem CW, tem vários canais a cabo básicos (incluindo SYFY e USA) e mesmo os canais a cabo premium. Isto sem contar com os diversos meios agregados (como games e internet, por exemplo). Infinitamente melhor cenário do que naquele setembro...

II) Séries que sobrevivem em nicho? Canais valorizando qualidade artística acima do Nielsen? Atrações tendo a sua audiência efetiva aumentada por mídias auxiliares? Lore deve ter sabotado a minha rede neural, capitão!

Nenhuma nova série scifi jamais trará de volta a monstruosa audiência da minissérie original de "V"; os números de Star Trek: The Next Generation e de X-Files também são coisa do passado, algo que, ironicamente, não constitui problema atualmente.

Hoje em dia, séries que servem como testemunho da qualidade (em amplo senso) do respectivo canal, sobrevivem SIM, muitas vezes "esticadas" além do que mandaria o bom senso artístico, tais como foram The Sopranos e Battlestar Galactica 2003 (algo que se espera, por exemplo, que não aconteça com Mad Men), mas SOBREVIVEM, mesmo com relativamente baixas audiências tradicionais.

Se uma série literalmente permeia toda a Internet, como fez Lost, não somente o seu canal de origem, mas toda a industria a trata como se ela tivesse uma audiência muito maior, talvez até uma ordem de grandeza maior, do que aquela medida tradicionalmente.

Nos termos mencionados acima, temos hoje direta valorização de qualidade pelos "homens da grana" e um rico universo não tradicional para popularizar a atração, como um projeto multimídia integrado. Infinitamente melhor cenário do que naquele outono... E, apesar de tudo... Aqui estamos!

MUITO ALÉM DAS ESTRELAS...

Muitos contactam o gênero em tenra idade... Parte da formação da própria personalidade... Tentativa de parecerem distintos... Orgulho de serem únicos...

Muitos lá gostavam sem saber articular o motivo... Muitas memórias não sobrevivem a tal capacidade... O que resiste ao crivo da idade... O latente escritor, o ponto de partida...

Muitos viveram aquelas histórias... Muitos inventaram tantas outras... Mas todos se lembram de todas... Especialmente das ainda não contadas...

Abraçar a sua incepção... Celebrar a sua inspiração... A sina do artista... O dever de ser ele mesmo...

...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Estará o scifi televisivo em crise?

Estará o scifi televisivo em crise?

O post anterior (sobre o cancelamento de Caprica e outras histórias) parece alimentar o argumento de uma atual crise scifi televisiva, mas não explica realmente a questão, sob o meu ponto de vista. Definitivamente não quero ver "mais do mesmo", mas também definitivamente não quero ver mais "muito de alguma coisa (por melhor que ela seja)":

(*) Sobre o "mais do mesmo":

No artigo já mencionado, falei um pouco de cada uma das séries scifi de nota ainda em produção (tirando as da CW por motivos óbvios eh! eh! eh!) e conclui estar gostando da atual sensibilidade britânica para o gênero (mesmo que muitas vezes influenciada pelo americano Joss Wheadon eh! eh! eh!) e que no fim do dia sempre espero ser surpreendido por um novo anime mais do que por qualquer outra coisa em scifi para tv.

Costumamos dizer que para se resolver um problema de matemática elementar você deve sempre se colocar na posição daquele que tem que contar, medir, construir etc. Para se avaliar uma série, ou mesmo uma idéia de série, o processo é inteiramente análogo, você deve sempre procurar se colocar na posição do realizador. Ali é que reside toda a questão

Existe uma tendência dos financiadores em se reduzir a ficção científica espacial na tv, a qual é um superconjunto do conceito clássico de space opera, mas definitivamente não se resume a este último. Muitos investidores acreditam que tal gênero distancie os espectadores da atração (algo que é uma óbvia falácia artística, mas que comercialmente deve ser sempre checado), outros temem os custos mais elevados de ter que se manter (incluindo ai toda a logística associada) algo que de fato não existe (maquiagem, próteses, vestuários, adereços, cenários, bebidas, comidas etc. etc. etc. Isto sem contar os mais tradicionais efeitos visuais da ficção científica espacial!!). Em anos recentes, várias idéias foram utilizadas para se minimizar tais condições mencionadas, com os realizadores cada vez mais conscientes de tais restrições, algo que somente amplifica a mencionada tendência.

A última década televisiva nos deixou um grande legado artístico. Inegável e talvez sem precedentes. Esperar da ficção especulativa televisiva um correspondente salto de sofisticação é mais do que óbvio. É até necessário. Space Opera é discutivelmente o gênero mais identificável e reconhecível de todo o scifi, o segundo talvez seja aquele que trata das distopias (que muitos nem identificam como scifi, aliás). A inspiração da última década mostra que "gênero engessa" e aponta o fim das "barreiras de gênero". Nestes termos, fazer uma space opera tradicional torna-se cada vez menos desejável. A única maneira de se atacar uma space opera tradicional nos dias de hoje, ao menos de forma artisticamente palatável, seria de contrariar as expectativas, ou seja não fazer uma space opera tradicional (risos). É mais do que óbvio que o caminho para os anos vindouros (do scifi televisivo) se baseia em conceitos de nicho e na segmentação do mercado e não em reciclagem de "gêneros" e na necessidade de certo "apelo universal".

(Obs: Muito tem se falado do tom de algumas séries scifi mais recentes, por vezes de maneira descuidada. O tom de uma atração é ditado pela sua premissa e não o contrário. Nenhum ser humano normal acorda decidido a fazer uma série "sombria". Ele acorda decidido a fazer uma série, se vai ser "sombria" ou "alegrinha" ou sejá lá o que for, dependerá da sua premissa, desde que lhe seja permitido evoluir livremente e consistentemente nos seus termos.)

(**) Sobre o "muito de alguma coisa (por melhor que ela seja)":

A realidade é que tenho cada vez mais dificuldade em acompanhar as produções seriadas (para o horário nobre) das redes americanas (e sistemas similares), sempre me parecendo ter episódios em excesso, idéias interessantes de menos e um texto consistentemente aguado.

Espero nunca mais assistir a uma série scifi (ou não) com mais do que cinco temporadas e mais do que 13 episódios de uma hora por temporada (ou 26 de meia hora por temporada). Mais do que isto qualquer tosquice já se torna ÓBVIA e a cada dia este sentimento apenas piora.

Obviamente, as séries que já foram feitas, foram feitas e muitas vou amar (nos seus termos) até o dia em que eu morrer, mas há que se trocar o chip em muitas ocasiões, não por qualquer aspecto cultural ou histórico (geralmente o que muitos tem que fazer com produções não americanas e/ou com mais de dez anos de idade), mas simplesmente pela absurda quantidade de episódios.

(E sim, quando Star Trek INEVITAVELMENTE voltar para a TV, espero que seja nos moldes que acabei de mencionar.)

Franquias como Star Trek, Doctor Who e Ultraman, pela sua distinta relevância cultural, irão produzir séries enquanto existir o meio, mas espero que sempre controlando o número de episódios e a qualidade, tendo em vista o seu público alvo e (principalmente) a sua história.

Não podemos esquecer de que a história do scifi televisivo é uma de baixos orçamentos, baixas audiências em geral, cancelamentos precoces, absurdas interferências dos financiadores e reconhecimento póstumo (nas vezes que ocorreu). Séries com apelo mainstream foram raríssimas, sendo mais a exceção do que a regra.

Se existe uma coisa que a última década mostrou indubitavelmente é que é financeiramente viável se trabalhar em nichos, que é obviamente a rota que o scifi televisivo tem que tomar.

Futuro realizador, aquele que tem uma idéia e anseia colocá-la para fora de alguma maneira: faça a síntese da sua idéia, faça uso do menor número possível de episódios, faça uso do menor orçamento possível para a execução da sua déia e conte a sua história. Aquela mesma que você sempre quis contar desde o seu primeiro contato com o gênero. É justo aquela que sempre vai valer mais a pena.


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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Caprica e outras histórias

Caprica e outras histórias

Como diria um velho ditado cardassiano: "Na falta de inspiração, entreviste a si mesmo."

O que esperar de Battlestar Galactica: Blood & Chrome?

Tá com um jeitão de Spartacus: Blood & Sand (risos). Estou esperando por um "grande orçamento", no melhor estilo Sanctuary. Não que o problema seja necessariamente o orçamento. As séries britânicas Misfits e Being Human são superiores a qualquer coisa do atual lineup do canal SYFY, que audaciosamente vai fazer um remake americano (sic!) da última. Só rindo mesmo.

Ron Moore, aparentemente influenciado pela temática steampunk da ultima turnê da banda canadense Rush (Oh boy!), resolveu dar um reboot em Wild Wild West, vamos ver como será, principalmente, o tom da atração (será uma dramédia?).

Enquanto isto, o David E. Kelley (meu antigo favorito e sinônimo de dramédia) está preparando uma série sobre a Wonder Woman (!?). Obviamente Diana vem para a América e se torna um advogada (risos)... Já pensaram na esposa de Kelley, Michelle Pfeiffer, morena e como Hipólita?

O que dizer da cancelada Caprica?

A questão é que a série já nasceu complicada; a vaga noção de Dallas SCIFI de Ron Moore ficou um tempão no limbo até que um conceito independente de Remi Aubuchon foi fundido ao que Moore tinha na época, o que acidentalmente (ou teria sido por pressão dos financiadores?) tornou a série muito mais próxima de BSG2003 do que Moore pensara inicialmente, algo bastante perigoso se levarmos em conta que BSG2003 nunca foi uma série fechada desde o início. Uma das muitas óbvias armadilhas criativas aqui.

Moore e Aubuchon mal tocaram o dia a dia da série além do piloto e pasaram "a sala" para Jane Espenson que, com o devido respeito, está longe de ser uma showrunner confiável e o mesmo pode ser dito do seu sucessor, Kevin Murphy. Com um conceito pouco claro para início de conversa e a falta de uma visão consistente, a série sofreu bastante (artisticamente falando) após o piloto, mostrando-se irregular em todos os aspectos da sua produção a partir de então. Definitivamente a máxima da "Série muito boa para o público disponível (TM)" não se aplica aqui.

Se compararmos a clareza da premissa de BSG2003 (uma necessidade artística legítima, por parte de Ron Moore, de "desenvolver certo a premissa de BSG1978") e a consistência de apresentação que série adotou desde o início (em grande parte devido a competência artística e mesmo gerencial do seu ÚNICO showrunner, o próprio Moore), a diferença é mais do que ABSURDA!!!.

(O Jammer fala sobre o final de Caprica aqui .)

E Blood & Chrome?

Esta nova série, com um título eminentemente gay e com kaboons aparentemente garantidos em profusão (os fanboys deverão adorar), já nasce morta, em mais uma tradicional e DESCARADA "apertação de teta" por parte do canal SYFY.

Ron Moore já pulou fora faz tempo disto tudo, pouco se envolvendo com a marca além do piloto de Caprica e procurou (vejam só!) "tocar", de algum modo, mais um série da qual gostava enquanto moleque. Nestas horas é muito fácil distinguir o verdadeiro artista de todo o resto (Michael Taylor, David Eick, Bradley Thompson, David Weddle... Estou olhando para vocês!).

Stargate Universe (SGU) também será cancelada em breve?

As expectativas artísticas aqui são infinitamente menores do que na franquia de BSG2003, mas ainda assim o canal SYFY deu a mesma liberdade de conteúdo a SGU que deu a Caprica. Com a sua introdução, a franquia do portal sofreu uma mudança DRÁSTICA de estética (tendo como referência a série Firefly) e de tom, agora muito mais sóbrio, naturalista e mesmo contemplativo. Sem grandes mudanças na equipe de produção, com tantas restrições auto-impostas e sem muita intimidade (ou mesmo capacidade!) na escrita de drama humano, SGU sofre muito para achar um público. Um cancelamento é mesmo uma óbvia possibilidade (Será que vem ai uma série Stargate: Blood & Naquadah?).

É uma pena que os fãs scifi típicos de hoje em dia pensem tão pouco do gênero, aparentemente mais afeitos a reciclagem e a lugares comuns do que a serem desafiados por idéias novas e conceitos de nicho. Quando eu tinha sete anos de idade, conheci um série que me ensinou, desde então, sempre a buscar AUDACIOSAMENTE o novo, não eternamente almejar a mais do mesmo. Tenho lido posts de fãs (?) de Caprica e SGU; chega a dar vergonha. Os de SGU são particularmente deprimentes, onde os fãs (?) aguardam pacientemente os análogos das coisas que já aconteceram nas séries anteriores (SG1 e SGA), como indicadores positivos de qualidade. Só revirando os olhos mesmo...

Querer mais SG1 e SGA é alguma espécie de perversão (SÃO 214 eps + 2 filmes + 100 eps PELO AMOR DE DEUS!!! ), tem que ser, não vejo outra possível explicação. Querer mais do mesmo que SG1 e SGA não é menos doentio.

Bastam 17 episódios para você nunca mais ser esquecido, 52 para você influenciar todas as séries scifi espaciais que vieram depois de você e não mais do que 60 para ser a melhor série de tv do todos os tempos. A qualidade que conta. Deixar uma marca no gênero, ser única. Esta é a assinatura do verdadeiro artista.

E o resto do line-up do canal SYFY?

Séries como Eureka, Haven, Warehouse 13 e Sanctuary não produzem uma nota sequer de genuína emoção, não desafiam a tua inteligência, a tua visão de mundo. Parece haver um acordo tácito do tipo: "Se você me tirar da minha zona de conforto eu mudo de canal!"

Tais séries são o equivalente scifi do brigadeiro sem açucar!

E o SCIFI americano fora do SYFY?

-- Até agora a série The Event (NBC) se mostrou mais próxima a série 24 do que a qualquer outra (os elementos scifi são mínimos e geralmente sob controle). Considero uma produção absolutamente mediocre, mas honesta até este ponto (sem muita expectativa de melhora significativa, infelizmente).

(O excelente Željko Ivanek deve ser o ator de personagem mais conhecido do grande público na atualidade. O cara é virtualmente onipresente (risos)... E a atriz Paula Malcomson vai pelo mesmo caminho.)

(Não posso evitar de pensar no futuro scifi televisivo, quando uma série scifi, como Caprica, realiza a trama "igreja + braço armado (terrorista)" e outra não scifi, Sons of Anarchy, faz o mesmo, exatamente na mesma época, no mesmo esquema de canal básico a cabo americano e, pasmem, MUITO melhor (isto sem contar com as jaquetas e as motos legais... eh! eh! eh!). Difícil mesmo não pensar a respeito, especialmente considerando que Malcomson está nas duas histórias (risos)... )

-- A série No Ordinary Family (ABC) é bastante parecida com as do lineup básico do canal SYFY, quanto a ser absolutamente inofensiva. Tem um bom e carismático elenco, mas é visível a falta de ambição, beirando ao simplório.

-- "V2009" (ABC) retorna em janeiro (de 2011) para o seu inescapável cancelamento. Difícil ver outra alternativa, frente a tão frágil execução da clássica premissa (Jammer fala sobre "V2009": aqui .)

-- Fringe (FOX) é a melhor série scifi americana do momento (algo que diz muito a respeito das séries concorrentes). É uma série competente, mas referencial demais e consistentemente incapaz de realizar, como regra e a cada último ato de episódio, todo o pathos que até constrói muito bem até ali. Noble é sempre o seu grande trunfo, simpatizo com a produção pela presença de Ash e Zach como roteiristas, mas nunca vai ser uma série que realmente me diga alguma coisa, seja por bruta inspiração, seja por reverberação dramática. E... Fiquem ligados no facão do canal FOX.

-- Medium já deveria ter sido cancelada. Já gostei muito da série, mas a transferência da NBC para a CBS nunca deveria ter acontecido (e nem me perguntem pelas séries da CW). True Blood (HBO) teve uma terceira temporada bastante fraca (mesmo para os mediocres padrões da atração), mas a ruindade até que me fez algum bem, pois devo confessar que ri muito com o festival de idiotices (aliás, mais do que posso dizer a respeito da imensa maioria das séries acima mencionadas).

E fora da América?

Creio estar vivendo uma fase britânica (Doctor Who, Being Human, Misfits etc.), mas sei que mais dia, menos dia, vai aparecer um anime que vai simplesmente me tirar de órbita (como foi, por exemplo, Planetes).

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terça-feira, 29 de junho de 2010

Doctor Who 2005 (2010)

Doctor Who 2005 (2010)

Eis que chega ao fim a quinta temporada da versão atual do ícone britânico, claramente preocupada em estreitar os laços entre os seus personagens, preparando-os, junto com a sua audiência, para os eventos (mais do que sugeridos) que com certeza virão em 2011.

O destaque absoluto vai para o penúltimo episódio do ciclo, The Pandorica Opens, algo fora das escalas de tão bom. Apesar de irregular em qualidade, a ambiciosa temporada, costumeiramente indo e vindo entre os temas de percepção e realidade, preparou com estrondoso êxito a sua conclusão, prometendo ainda mais um prêmio Hugo para o seu novo produtor executivo, o genial Steven Moffat.

The Pandorica Opens é tão densamente tramado e possui tanta imaginação que temos a impressão de ter assistido a um filme de duas horas e não a um episódio regular de TV. Temos Van Gogh, Churchill, Liz X, River Song e o planeta mais antigo do universo, só no teaser! Sem mencionar uma legítima legião romana, stonehenge, a titular Pandorica e uma aliança das principais raças da série presentes para aprisionar o seu principal inimigo (o Doutor) na dita caixa. Tal reviravolta, além de deliciosamente irônica em retrospecto, confirma que existe uma terceira força manipulativa em ação, o tal "silêncio", o qual provoca a destruição da TARDIS, logo em seguida, levando toda a realidade com ela. A resolução do extremo cliffhanger jazia então na seguinte fala anterior do Doutor para Amy:

"People fall out of the world sometimes,
but they always leave traces.
Little things we can't quite account for.
Faces in photographs, luggage, half eaten meals... rings...
Nothing is ever forgotten, not completely.
And if something can be remembered
...
It can come back."

O final de temporada, The Big Bang, é competente como resolução do extremo cliffhanger estabelecido, porém um tanto simplista e confuso (o Doutor e Amy são salvos na base de paradoxos extremamente artificiais, por exemplo). O título e as circunstâncias apontam para um imenso botão de reset, o qual é obviamente tanto inevitável, quanto melodramático, com o Doutor pilotando a Pandorica no coração da explosão da TARDIS, o que recria uma realidade, uma que nunca o conheceu...

Curiosamente, o segmento não termina ai (algo que faz tremenda diferença). Na sequência, acompanhamos o Doutor voltando no tempo dentro da nova realidade, revisitando momentos chaves da série, o que explica o motivo das anomalias seguirem sempre Amy, pelo tempo e pelo espaço. Assim prosseguindo, em reverso, até o dia em que Amelia (Amy quando criança) dormiu esperando por ele. Ele conta uma crucial história a beira da sua cama, se despede e a pequena acorda. No dia do casamento de Amy e Rory (originalmente o dia do final da realidade), Amy e os presentes (incluindo agora os seus pais, presentes na nova realidade) começam a se lembrar do Doutor, ao mesmo tempo que a TARDIS aparece bem no meio do salão.

"It's funny.
I thought if you could hear me,
I could hang on somehow.
Silly me.
Silly old Doctor.
When you wake up,
you'll have a mum and dad...
And you won't even remember me.
Well, you'll remember me a little.
I'll be a story in your head.
But that's OK.
We're all stories in the end.
Just make it a good one, eh?
Cos it was, you know.
It was the best.
A daft old man
who stole a magic box
and ran away.
Did I ever tell you that I stole it?
Well, I borrowed it.
I was always going to take it back.
Oh, that box, Amy.
You'll dream about that box.
It'll never leave you.
Big and little at the same time.
Brand new and ancient.
And the bluest blue ever.
And the times we had, eh?
Woulda had...
Never had.
In your dreams,
they'll still be there.
The Doctor and Amy Pond.
And the days that never came..."

A renovação da "chefia" fez bem a desgastada atração. Novos atores, personagens, novos cenários da TARDIS e agora até uma nova realidade, trouxeram um frescor renovado ao programa. Sem problemas no elenco, os novos personagens emergem (especialmente se TODAS as suas memórias foram preservadas/recuperadas) meio que como veteranos ao final do ciclo e os poderes de Amy (fruto, agora sim, de um paradoxo deveras esperto) devem ser parte importante do que virá, ficando duas claras perguntas para o ano que vem:

- O que é o "Silêncio"? Um inimigo do passado do Doutor, alguém totalmente novo ou algo completamente diferente? Quais são os seus objetivos (sendo que recriar a realidade parece ser uma boa aposta)?

- Qual é de fato a história de River Song e do Doutor?

Até o especial de Natal 2010...

P.S.: Os melhores episódios (inclusive quanto aos valores de produção) desta quinta temporada foram, sem surpresas, aqueles escritos por Moffat. Além de The Pandorica Opens, um outro óbvio destaque foi o episódio The Beast Below.

Doctor Who 2005 (2010)

sábado, 22 de maio de 2010

Review de Reservoir Dogs (1992)

"Reservoir Dogs" (1992) [98'] [****]

Reservoir Dogs foi o primeiro filme do diretor Quentin Tarantino e nele encontramos o mais cru registro de algumas das principais características da sua obra até aqui, tais como: narrativa não-linear, diálogos inspirados e que chamam demais a atenção para si devido a sua usual desconexão com a trama, costumeiro uso de canções pré-existentes na trilha e a presença de extrema violência. Cabendo notar, entretanto, que tais características (incluindo a violência!) produzem geralmente um efeito líquido cômico, leve e superficial. O resultado aqui é vastamente positivo, repleto de energia e empolgação, continuamente reavivando o interesse da audiência e tendo na crescente ironia o seu principal trunfo dramático.

A narrativa trata do que acontece imediatamente antes e imediatamente depois de um malsucedido assalto, mas não o crime em si. Tal omissão, aliada a não linearidade subjacente, ataca a passividade do espectador, forçando-o a montar um quadro mental próprio do ocorrido, algo que também garante uma certa identificação com os bandidos, que recapitulam os acontecimentos ao seu modo, procurando entender os motivos do seu fracasso e o que fazer a respeito. A maior parte do longa ocorre então em uma armazém vazio e imundo que serve de ponto de encontro para os quatro assaltantes sobreviventes após o fato, conhecidos entre si somente pelos codinomes: White (Harvey Keitel), Orange (Tim Roth), Pink (Steve Buscemi) e Blonde (Michael Madsen). A suspeita da existência de um policial infiltrado no bando serve como natural plataforma ao lançamento de diversos flashbacks, que surgem sem aviso e explicam as circunstâncias da contratação de cada um para o serviço. Curiosamente, tais flashes não parecem se concentrar no desenvolvimento dos personagens, mais interessados em referenciar o gênero crime (não necessariamente a filmes específicos) e veicular os elaborados diálogos do realizador (emblematicamente, o policial infiltrado faz a sua preparação para a missão decorando uma espécie de roteiro).

A escolha dos quatro principais atores é essencialmente perfeita e eles não decepcionam em execução: Keitel como o consagrado veterano que naturalmente comanda o respeito dos mais jovens, o britânico Roth que tenta pertencer a um grupo ao qual de fato não pertence, o “óbvio” maluco Buscemi que ironicamente emerge como o mais centrado (e virtual único sobrevivente) de todo o bando e o boa praça Madsen que surpreende a todos como um sádico psicopata (sendo fascinante o quanto simplesmente demoramos para aceitá-lo como tal). A câmera de Tarantino se move livremente no amplo cenário do armazém, tornando o filme visualmente interessante, alternando entre uma abordagem “mais intensa”, de cortes frequentes, câmera na mão e planos fechados e uma outra, “menos intensa”, de cortes mais espaçados, movimentos mais rígidos de câmera e enquadramentos mais abertos. Particularmente belos são o plano em que a câmera recua lentamente para introduzir o personagem de Madsen e o plano final fechado na desolada face de Keitel em meio a “ensurdecedora” chegada dos policiais. 

Reservoir Dogs foi a empolgante introdução ao mundo de um cineasta americano que abraça gêneros apaixonadamente, não por necessariamente ter uma história a contar dentro de algum deles, mas simplesmente para festejá-los. Nascia então uma distinta “voz”, um realizador vibrante e entusiasmado, aparentemente não disposto a abrir mão de suas convicções. Algo bem resumido simbolicamente na auto-destruição final do bando, em meio a climática ironia do veterano bandido que coloca a sua lealdade ao informante acima dos demais. Uma atitude sem compromissos de um diretor que veio para ficar.

"Reservoir Dogs" (1992) [98'] [****]

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

MELHORES FILMES DA DÉCADA (2000-2010)

Melhores filmes da década (2000-2010)

Obviamente o título se refere aos melhores filmes dos anos 2000 até 2010 e a uma tentativa de expressar a minha opinião a respeito. A verdade é que, motivado pela atualização anual da lista dos melhores filmes do século 21 do siteTSPDT, me vi compelido a realizar uma tal relação.

Os critérios utilizados foram mínimos. Além da lista ter necessariamente "a minha cara" e "ser do coração", um mesmo diretor não pode aparecer mais do que uma vez (regra que eu prontamente "entortei, mas não quebrei") e cada ano deve ser "bem representado".

Então, sem mais delongas, seguem-se: i) a minha lista dos melhores filmes da década (em ordem cronológica) e  ii) um comentário, filme a filme, sobre a minha lista.

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Lista dos melhores filmes da década

(2000) Crouching Tiger, Hidden Dragon (de Lee Ang)
(2000) Memento (de Christopher Nolan)
(2000) In The Mood For Love (de Wong Kar-Wai)
(2001) Ghost World (de Terry Zwigoff)
(2001) Mulholland Dr. (de David Lynch)
(2001) Donnie Darko (de Richard Kelly)
(2001) The Royal Tenenbaums (de Wes Anderson)
(2002) Talk to Her (de Pedro Almodovar)
(2002) Russian Ark (de Aleksandr Sokurov)
(2002) City Of God (de Fernando Meirelles)
(2002) Far From Heaven (de Todd Haynes)
(2003) Memories Of Murder (de Bong Joon-Ho) 
(2003) Dogville (de Lars von Trier)
(2003) Lost In Translation (de Sofia Coppola)
(2003) Kill Bill (de Quentin Tarantino) (*)
(2003) Oldboy (de Park Chan-Wook)
(2004) Before Sunset (de Richard Linklater)
(2004) Eternal Sunshine Of The Spotless Mind (de Michel Gondry)
(2005) Match Point (de Woody Allen) 
(2005) A History Of Violence (de David Cronenberg)
(2005) Grizzly Man (de Werner Herzog)

(2005) The New World (de Terrence Malick)
(2006) The Lives of Others (de Florian Henckel von Donnersmarck)  
(2006) United 93 (de Paul Greengrass)
(2006) Children Of Men (de Alfonso Cuarón)
(2006) Pan's Labyrinth (de Guillermo del Toro)
(2007) Zodiac (de David Fincher)
(2007) 4 Months, 3 Weeks And 2 Days (de Cristian Mungiu)
(2007) No Country For Old Men (de Joel Coen and Ethan Coen)
(2007) There Will Be Blood (de Paul Thomas Anderson)
(2008) Let The Right One In (de Tomas Alfredson)
(2008) Synecdoche, New York (de Charlie Kaufman)
(2008) The Wrestler (de Darren Aronofsky)
(2008) The Hurt Locker (de Kathryn Bigelow)
(2009) The White Ribbon (de Michael Haneke)
(2009) The Secret In Their Eyes (de Juan José Campanella)
(2010) The Winter's Bone (de Debra Granik)
(2010) Carlos (de Olivier Assayas)

(*) Os dois volumes contados juntos como um único filme

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Comentário (filme a filme) da lista

Artigo em progresso

Data de conclusão: ?/?/2011

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Melhores filmes da década (2000-2010)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Filmografia de Paul Greengrass (UNITED 93)

 Filmografia de Paul Greengrass (UNITED 93)

Seguem as castanhas (de 0,0 até 4,0) para os filmes que já vi do britânico Paul Greengrass. O meu favorito continua sendo (2006) United 93. Greengrass é discutivelmente o maior diretor de ação tradicional do planeta hoje em dia. Obrigatório!

(1989) Resurrected [N/A]

(1998) The Theory of Flight [N/A]

(2002) Bloody Sunday [***1/2]

(2004) The Bourne Supremacy [***1/2]

(2006) United 93 [****] {FAVORITO}

(2007) The Bourne Ultimatum [***1/2]

(2010) Green Zone [**1/2]

 Filmografia de Paul Greengrass (UNITED 93)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Filmografia de Michael Mann (HEAT)

Filmografia de Michael Mann (HEAT)

Seguem as minhas recomendações para os filmes do Americano Michael Mann. O meu eterno favorito dele é (1995) HEAT. E sim, (1983) The Keep é deveras abominável mesmo (risos).

(1981) Thief [***1/2]

(1983) The Keep [ZERO CASTANHA]

(1986) Manhunter [***]

(1992) The Last of the Mohicans [***]

(1995) Heat [****] {FAVORITO}

(1999) The Insider [****]

(2001) Ali [**1/2]

(2004) Collateral [***]

(2006) Miami Vice [**1/2]

(2009) Public Enemies [***]


Filmografia de Michael Mann (HEAT)

Filmografia de James Cameron (THE TERMINATOR)

Filmografia de James Cameron (THE TERMINATOR)

Seguem as minhas recomendações para os filmes do Canadense James Cameron. O meu eterno favorito dele é (1984) The Terminator. Os três últimos meio que oscilam entre 2,5 e 3,0 castanhas, são os chamados "bonzinhos". E sim, eu assisti ao ridículo (1981) Piranha II (risos).

(1981) Piranha II [ZERO CASTANHA]

(1984) The Terminator [****] {FAVORITO}

(1986) Aliens [***1/2]

(1989) The Abyss [***]

(1991) Terminator 2: Judgment Day [***1/2]

(1994) True Lies [**1/2]

(1997) Titanic [**1/2]

(2009) Avatar [**1/2]

Filmografia de James Cameron (THE TERMINATOR)